O Segundo Livro Histórico

Juízes, o segundo dos doze livros históricos (de Josué a Ester) está em contraste com Josué. Em Josué, um povo obediente conquistou a terra através da confiança no poder de Deus. Nos Juízes, no entanto, um povo desobediente e idólatra é derrotado uma e outra vez por causa de sua rebelião contra Deus. Em sete ciclos distintos de pecado para a salvação, Juízes mostra como Israel havia posto de lado a lei de Deus e em seu lugar substituiu pelo “que estava certo aos seus próprios olhos” (21:25). O resultado recorrente do abandono da lei de Deus é a corrupção interna e a opressão externa.

Durante os quase quatro séculos abrangidos por este livro, Deus levanta líderes militares para se livrar do jugo da escravidão e restaurar a nação à adoração pura. Mas não demorava para o “ciclo do pecado” começar de novo à medida que a temperatura espiritual da nação se tornava cada vez mais fria.

O título hebraico é Shophetim, que significa “juízes”, “governantes”, “libertadores” ou “salvadores”. Shophet não apenas carrega a idéia de manter a justiça e resolver disputas, mas também significa “libertar” e “entregar”. Primeiro os juízes entregam o povo; então eles governam e administram a justiça.

A Septuaginta usou o equivalente grego desta palavra, Kritai (“Juízes”).

A Vulgata Latina chamou Liber Judicum, o “Livro dos Juízes”. Este livro também poderia apropriadamente ser intitulado “Livro do Fracasso”.

Autor

O Livro de Juízes não revela especificamente o nome do seu autor. A tradição é que o profeta Samuel foi o autor de Juízes. Evidência interna indica que o autor viveu logo após o período dos juízes. Samuel se encaixa nessa qualificação.

Quando foi escrito

O livro de Juízes foi provavelmente escrito entre 1045 e 1000 AC.

Esboço

Juízes pode ser dividido em três grandes seções: um prólogo duplo (1:1 a 3:6), um corpo principal (3:7 a 16:31) e um duplo epílogo (caps. 17 a 21).

  1. Prólogo
    • O livro começa com os israelitas na terra que Deus havia lhes prometido, mas adorando “deuses estrangeiros” ao invés do Deus de Israel, e com os cananeus ainda presentes por toda parte. Juízes 1:1 a 2:5 são uma confissão do fracasso e o trecho daí até Juízes 3:6, um grande sumário. Desta forma, a abertura do livro já estabelece o padrão que as demais histórias no corpo do texto seguirão:
      • Israel “faz o mal à vista de Deus”;
      • O povo é entregue nas mãos de seus inimigos e implora a ajuda de Deus;
      • Deus lhes envia um líder;
      • O “espírito de Deus” preenche o líder;
      • O líder derrota o inimigo;
      • A paz é restaurada.
  2. Corpo Principal
    • Em seguida segue o texto principal (3:11 a 16:31) composto por seis relatos distintos, cada um destacando um “juiz maior” e sua luta contra reis opressivos de nações vizinhas, mais a história de Abimeleque, um israelita que oprime seu próprio povo. O padrão cíclico apresentado no prólogo é imediatamente aparente, mas, conforme as histórias avançam , ele começa a se desintegrar, espelhando a desintegração do mundo dos israelitas. É recorrente a afirmação de que houve um período de paz depois de cada juiz. As histórias não são apresentadas em ordem cronológica e os juízes, na ordem em que aparecem, são:
      • Otoniel (Jz 3:9-11), que lutou contra Cusã-Risataim, rei de Aram; Israel tem 40 anos de paz até a morte de Otoniel;
      • Eúde (Jz 3:11-29), que lutou contra Eglom, rei de Moabe;
      • Débora, a profetisa, e Baraque, o general (Jz 4Jz 5), que lutam contra Jebim, de Hazor (uma cidade em Canaã), e Sísera, seu capitão;
      • Gideão (Jz 6Jz 8), que lutou contra Midiã, Amaleque e os “filhos do oriente” (aparentemente uma coalização de tribos do deserto);
      • Abimeleque (Jz 9), que tradicionalmente é contado como rei e não um juiz e é considerado maligno, que lutou contra todos os israelitas que se levantaram contra ele;
      • Jefté (Jz 11Jz 12:7), que lutou contra os amonitas;
      • Sansão (Jz 13Jz 16), que lutou contra os filisteus;
      • Há também notas sobre seis “juízes menores”: Sangar (Jz 13:31), Tola e Jair (Jz 10:1-5), Ibsã, Elom e Abdão (Jz 12:8-15).
  3. Epílogo
    • No final do livro, os israelitas estão em condição pior do que a do começo, com os tesouros de Deus sendo utilizados para criar ídolos, os levitas corrompidos, a tribo de Dã conquistando uma vila remota ao invés de uma das cidades cananeias e as tribos de Israel em guerra contra a tribo de Benjamim, irmã delas. O livro conclui com dois apêndices (caps. 17 a 21), histórias que não tratam de nenhum juiz especificamente:
      • Ídolo de Miqueias (Jz 17Jz 18) e a conquista, pela tribo de Dã, de territórios ao norte de Canaã;
      • Batalha de Gibeá (Jz 19Jz 21), uma guerra entre Benjamim e as demais tribos;
      • Apesar de sua aparição no final do livro, certos personagens, como Jônatas, o neto de Moisés), e idiomas presentes no epílogo revelam que os eventos mostrados ali “devem ter ocorrido…logo no início do período dos juízes”.

Propósito

O livro de Juízes também pode ser dividido em duas seções:

  1. Capítulos 1-16 narram as guerras de libertação que começam com a derrota dos cananeus e terminam com a derrota dos filisteus e a morte de Sansão;
  2. Capítulos 17-21 são conhecidos como um apêndice e não se referem aos capítulos anteriores. Esses capítulos são enxergados como um tempo quando “não havia rei em Israel” (Jz 17:6; 18:1, 19:1, 21:25). O Livro de Rute era originalmente uma parte do Livro dos Juízes, mas em 450 DC foi removido para tornar-se um livro próprio.

 

Fontes

  • Introdução traduzida de New King James Version® Copyright © 1982 by Thomas Nelson
  • Got Questions